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Inteligência artificial pode ajudar África a salvar milhares de vidas com alertas meteorológicos de baixo custo

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Novo estudo propõe sistema baseado em inteligência artificial capaz de emitir alertas meteorológicos antecipados a uma fração do custo das infraestruturas tradicionais, numa região onde milhões de pessoas continuam vulneráveis a fenómenos climáticos extremos.

África poderá estar mais próxima de reduzir uma das suas maiores vulnerabilidades perante as alterações climáticas: a falta de sistemas eficazes de alerta precoce para fenómenos meteorológicos extremos.

Um estudo científico divulgado pelo investigador sul-africano Qness Ndlovu propõe uma solução baseada em inteligência artificial (IA) que promete tornar a previsão meteorológica avançada mais acessível para países africanos, incluindo aqueles com recursos financeiros limitados.

Publicado na plataforma científica arXiv, o trabalho intitulado “Closing the Early Warning Gap in Africa: AI Weather Forecasting for Disaster Prevention” destaca que uma parte significativa do continente continua sem sistemas adequados de alerta precoce devido aos elevados custos de instalação e manutenção das infraestruturas meteorológicas convencionais.

Segundo os autores, uma única estação de radar meteorológico pode custar mais de um milhão de dólares, o que dificulta a expansão da cobertura em muitos países africanos. O estudo refere ainda que África apresenta uma cobertura de monitorização meteorológica muito inferior à existente nos Estados Unidos e na União Europeia.

Tecnologia capaz de prever condições atmosféricas até 15 dias antes

A proposta assenta na utilização do modelo de inteligência artificial Earth-2, desenvolvido pela NVIDIA, que permite gerar previsões atmosféricas globais com até 15 dias de antecedência.

De acordo com os investigadores, o sistema pode ser implementado a nível nacional por um custo mensal estimado entre 1.430 e 1.730 dólares norte-americanos, representando uma redução significativa face aos custos das soluções tradicionais.

A arquitetura tecnológica foi testada na África do Sul em fevereiro de 2026 e utiliza bases de dados para armazenar previsões previamente calculadas, permitindo respostas rápidas aos utilizadores sem necessidade de processamento complexo em tempo real.

Uma das características mais inovadoras do projeto é a distribuição dos alertas através do WhatsApp, uma das plataformas digitais mais utilizadas em África, permitindo que informações críticas cheguem rapidamente às populações potencialmente afetadas.

Sistemas de alerta podem reduzir drasticamente o número de vítimas

O estudo cita dados do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR), segundo os quais os sistemas de alerta precoce estão entre as ferramentas mais eficazes para reduzir perdas humanas causadas por desastres naturais.

Os autores recordam que fenómenos meteorológicos extremos continuam a provocar centenas de mortes todos os anos em várias regiões africanas, agravados pela insuficiência de sistemas de monitorização e comunicação de risco.

Nos últimos anos, o continente tem enfrentado episódios cada vez mais frequentes de cheias, ciclones, secas prolongadas e ondas de calor, num contexto em que especialistas internacionais alertam para os impactos crescentes das alterações climáticas.

Oportunidade para pequenos Estados insulares como Cabo Verde

A tecnologia poderá ter particular relevância para pequenos Estados insulares africanos, como Cabo Verde, onde fenómenos meteorológicos extremos representam desafios crescentes para as autoridades e para as comunidades.

A possibilidade de disponibilizar previsões mais precisas e alertas antecipados através de plataformas móveis poderá reforçar significativamente a capacidade de preparação e resposta perante tempestades, chuvas intensas e outros eventos climáticos adversos.

Para os autores, a combinação entre inteligência artificial, computação em nuvem e aplicações móveis poderá contribuir para democratizar o acesso a sistemas avançados de previsão meteorológica, reduzindo desigualdades tecnológicas históricas e ajudando a proteger milhões de pessoas em todo o continente africano.

O estudo conclui que soluções baseadas em inteligência artificial poderão desempenhar um papel determinante na construção de sistemas de alerta precoce mais acessíveis, eficientes e escaláveis, num momento em que África procura reforçar a sua capacidade de adaptação às mudanças climáticas.

Fonte principal: arXiv:2602.17726

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